Futuro e sexualidade – síndrome de Down – Dr Zan Mustacchi

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Dando continuidade no Guia do Bebê, seguimos com futuro e sexualidade . Vamos lá !!

Uma situação frequente vivida por familiares de alguém com síndrome de Down é a pergunta relacionada ao futuro da geração  e expectativa de vida. O tem ” futuro da geração ” está diretamente relacionado com perspectivas e ansiedades relativas as duas questões.

A primeira delas é “Quem acompanhará meu filho quando eu não estiver mais presente?”,  e a segunda está relacionada à questão de filhos que eventualmente possam ser esperados por um casal com síndrome de Down.

Para abordar a primeira questão é preciso ter a ciência de que a ordem natural da vida respeita a todos nós, isto é, os pais partem antes dos filhos. Os filhos deverão adaptar-se a uma vida chamada de autônoma. Quando falamos de autonomia, não estamos necessariamente falando de autonomia individual, a qual é muito difícil de ser atingida, principalmente ao considerarmos que necessitamos constantemente de apoio e troca de informações com nossos familiares, amigos etc.

A perspectiva de vida autônoma à qual nos referimos é a possibilidade de conviver com uma sociedade que compartilha e auxilia. Esse arranjo é absolutamente viável para a vida de um adulto com síndrome de Down que tenha alguém considerado ” apoio”, o qual preferimos chamar de ” monitoramento intermitente”, responsável por momentos que envolvam questões econômicas e jurídicas.

Esse cuidado se deve ao fato de vivermos em uma sociedade pobre de caráter e educação, que possibilita o abuso de pessoas mal-intencionadas.

Outra questão importante é a da sexualidade. A menstruação e a ejaculação ocorrem na mesma fase e da mesma forma como em qualquer pessoa, mas ao que tudo indica a menopausa é prematura. Sabemos que a atividade enzimática , a qual controla equilíbrios metabólicos, está muitas vezes alterada e de certa forma acelera nas pessoas com síndrome de Down ;  que o ciclo de fertilidade e equilíbrio metabólico dos hormônios sexuais femininos  é reduzido; e que, consequentemente, o envelhecimento é prematuro. O mesmo ocorre com todo o ciclo de vida celular do organismo desses indivíduos.

Um processo muitas vezes preocupante e curioso ocorre em adolescentes com síndrome de Down é definido como ” puberdade precoce “. O sinal indicativo de puberdade precoce isossexual ( isto é, no indivíduo do sexo masculino relacionado com pênis e pelos, e no sexo feminino, com mamas e pelos) é a expressão prematura e/ou exacerbada  da maturidade sexual em qualquer faixa de idade.

Curiosamente , durante muito tempo escreveu-se na literatura técnica que a genitália masculina dos indivíduos com síndrome de Down era pequena ( “micro”), mas surpreendentemente começamos a observar uma grande frequência de adolescentes com aumento importante de genitália, cujo diagnóstico inicial foi puberdade precoce. Para esses casos , especificamente, houve uma varredura ( pesquisa) ampla de situações patológicas que pudessem ter induzido a essa surpreendente alteração chamada de macrogenitossomia, o que indica uma clássica puberdade precoce.

Todas as pesquisas concluíram padrões normalíssimos. Uma macrogenitossomia em um adolescente com síndrome de Down deve ser sumariamente investigada para não cometermos o erro de desprezar situações próprias  da puberdade precoce como doença, mas devemos reconhecer de antemão que a macrogenitossomia pode ser normal nesses jovens.

No caso da concepção entre pessoas com síndrome de Down, há uma possibilidade de cerca de 80% de nascimento de crianças com esse mesmo diagnóstico. Quando um deles têm síndrome de Down e o outro não, a possibilidade é de 50%. O melhor método anticoncepcional ainda é o celibato. Entretanto, sejamos objetivos: acredito que a educação com informação adequada para uso rotineiro de preservativos é o melhor método.

Mas será que as pessoas com síndrome de Down têm condições  de lembrar-se do uso do preservativo, já que o desejo, neste momento, é maior do que a preocupação com qualquer coisa ? – alguns se perguntarão. Com certeza, caso seja ensinado a esse grupo de pessoas a importância do uso de preservativo, sem dúvida se lembrarão de usá-lo  de forma muito mais incisiva do que as pessoas sem a síndrome. Além de evitar doenças infectocontagiosas por transmissão sexual, esse tipo de método contraceptivo evita o uso de medicamentos ( hormônios) chamados anticoncepcionais , que podem ser orais ou intramuscular , ou até depósitos subcutâneos, e evita os riscos do uso do dispositivo intauterinos ( DIU).

Beijos  Simone Santiago Marques

 



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