O Pai escrevendo

Este vai ser um post diferente. Meu nome é Lúcio e sou o pai da Amanda. Minha intenção é passar um pouco a visão do pai em todo este processo.  Quase sempre a preocupação gira em torno da mãe e da criança e os pais acabam ficando de lado.  As dúvidas que temos são as mesmas da mãe, porém as vezes é mais difícil para nós colocarmos para fora as emoções e guardamos tudo que nos deixam com os cabelos brancos (pelo menos os que restam).

Sei que não é intencional, porém muitas vezes todos ao redor se preocupam com o estado psicológico da mãe e os pais ficam ao lado com suas angustias,  dúvidas e incertezas e ainda precisa se manter estáveis para ser o ponto de referência em casa. No meu caso acabei sendo a referência para todos e poucos perguntavam quais eram os meus sentimentos em todo este processo. Vejo isto acompanhando o blog, somos a minoria.

Sempre fui participativo e minha família é o que tenho de mais importante e que mais amo neste mundo, meu pai sempre disse que eu era um PÃE, pois faço as coisas que ele não fazia, mas ele me ensinou que a família é o mais importante e que devemos sempre fazer o que pudermos com todo o amor que temos no coração.

Estive em todas as consultas da minha primeira filha e em todas as consultas da Amanda. Quantas vezes enquanto a Simone estava trocando de roupa eu tinha uma conversa com a médica e escutei que a probabilidade de acontecer algo era grande e que eu tinha que estar preparado. Depois guardava tudo para deixar a Simone mais preocupada.

Como qualquer pai, temos as preocupações de futuro, talvez de uma maneira mais prática e lógica de como vai ser a Amanda daqui um tempo quando ele estiver maior, quando não estivermos mais por perto, etc. Mas aprendi que isto não adianta nada e que na verdade atrapalha muito, pois nos preocupamos com o futuro e deixamos o presente passar.

Como um pai e creio que isto vale para qualquer um, devemos aprender o quanto antes que as crianças podem fazer tudo aquilo que elas acreditam e gostam, que as limitações quem coloca somos nós, que o preconceito vem dos adultos e que como toda criança eles aprendem com o exemplo que eles tem em casa.

Então trazendo para o lado da criança Down, o que devemos aprender  rápido é respeitar o tempo deles, sem cobranças maiores, sem super proteção, a Simone já mencionou antes que eu deixo a Amanda fazer tudo e que ela é medrosa. Então eu deixo a Amanda fazer e aprender as coisas por ela. O que Amanda sabe, pois sempre digo para ela, é que sempre estarei ao seu lado, apoiando e ajudando ela a aprender em como ser independente.

Meu conselho para quem tem ou terá um filho Down é aproveite ao máximo, é um presente que recebemos e que nos faz crescer como homem, como pai, como marido já que nos aproxima da pessoa que amamos e nos ensina a rever as prioridades.

Obrigado                Lúcio Marques

 



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